Julgamentos virtuais representam retrocesso ao direito de defesa, afirma presidente da Abracrim-SP em entrevista ao Consultor Jurídico
O avanço dos julgamentos virtuais no Poder Judiciário tem provocado preocupação entre advogados criminalistas, especialmente em relação aos impactos sobre o exercício pleno do direito de defesa. Em entrevista ao Consultor Jurídico (ConJur), o presidente da Abracrim-SP, Roberto Delmanto Junior, classificou a expansão desse modelo como um “retrocesso” e defendeu a preservação da sustentação oral e da participação efetiva da advocacia nos julgamentos.
Na avaliação de Delmanto, a adoção indiscriminada de sessões virtuais pode reduzir a complexidade do julgamento criminal a uma análise excessivamente formal e documental, enfraquecendo a atuação da defesa. Para o criminalista, o julgamento não deve ser compreendido apenas como uma sequência de votos, mas como um momento essencial para que os argumentos apresentados pela defesa sejam efetivamente considerados pelos julgadores.
A preocupação está diretamente relacionada às prerrogativas da advocacia criminal e às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A participação do advogado durante o julgamento permite não apenas a apresentação dos argumentos técnicos, mas também o esclarecimento de pontos relevantes do processo e a interação com o colegiado.
“A defesa criminal precisa ser exercida de forma plena, e não reduzida a uma manifestação protocolar”, destaca Delmanto, ao defender que a modernização do Judiciário não pode ocorrer em prejuízo das garantias fundamentais asseguradas às partes.
Para a Abracrim, a discussão sobre os formatos de julgamento deve considerar, sobretudo, as particularidades do processo penal. A entidade entende que a utilização de ferramentas tecnológicas pode contribuir para a eficiência da Justiça, mas não deve substituir mecanismos essenciais ao exercício da defesa, especialmente quando estiverem em jogo a liberdade e os direitos fundamentais do acusado.
A manifestação do presidente da Abracrim-SP reforça a atuação institucional da entidade em defesa das prerrogativas da advocacia criminal e da observância das garantias constitucionais. Para a Associação, inovação e eficiência no sistema de Justiça devem caminhar ao lado do respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
A entrevista completa de Roberto Delmanto Junior foi publicada pelo Consultor Jurídico, na matéria intitulada “Julgamento virtual é retrocesso no direito de defesa, diz Delmanto”. Confira pelo link – https://conjur.com.br/2026-set-03/abracrim-sp-ve-julgamentos-virtuais-como-reducionismo-do-direito-de-defesa/