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Abracrim institui o Ano Cultural “Poeta Dudu Morais” em homenagem a advogado criminalista e poeta

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), por ato aprovado pela sua diretoria nacional, instituiu o Ano Cultural “Poeta Dudu Morais”, que será celebrado ao longo de 2026 no âmbito da Comissão Nacional de Arte, Cultura e Literatura da entidade. A iniciativa é uma homenagem à memória do advogado criminalista, poeta e associado Carlos Eduardo Silva Morais, falecido em 30 de dezembro de 2025.

Conhecido como Dudu Morais, ele deixou um legado singular ao unir a poesia à advocacia criminal, transformando a vivência forense, a defesa da liberdade e a experiência humana em versos marcados por sensibilidade, resistência e compromisso com a justiça.

As atividades culturais desenvolvidas pela comissão de Arte, Cultura e Literatura ao longo de 2026 terão como eixo central a valorização da obra, da trajetória e da memória de Dudu Morais, reafirmando o papel da cultura e da literatura como expressões fundamentais da advocacia criminal, além de incentivar os associados e associadas da Abracrim a participarem dos projetos e ações culturais da associação.

Para o presidente nacional da Abracrim, Sheyner Asfóra, a homenagem simboliza mais do que um reconhecimento individual. “Instituir o Ano Cultural ‘Poeta Dudu Morais’ é reconhecer que a advocacia criminal também se constrói pela arte, pela poesia e pela sensibilidade humana. Dudu Morais representa a síntese do advogado que defende a liberdade com a palavra jurídica e com a palavra poética, por isso ser tão importante para o criminalista o estudo tanto do Direito como da Literatura pois, parafraseando o escritor Gilberto Amado, quando se estuda o Direito se conhece a vida por fora e quando se ler literatura, um romance, se conhece a vida por dentro”, afirma.

Na visão da presidente da Abracrim-PE, Creuza Almeida, a instituição do Ano Cultural “Poeta Dudu Morais” representa um gesto de profundo significado simbólico e institucional. “Mais do que uma homenagem póstuma, trata-se do reconhecimento de uma trajetória que soube unir, com rara autenticidade, a advocacia criminal e a poesia, revelando que a defesa da liberdade também se constrói pela sensibilidade, pela palavra e pela arte. Dudu Morais deixou como legado uma advocacia que não se limita ao tecnicismo, mas que dialoga com a condição humana, com a dor, a esperança e a resistência. Sua obra poética traduz a vivência forense em versos que humanizam o Direito e reafirmam o papel do advogado criminalista como guardião das liberdades e da dignidade. Ao dedicar o ano de 2026 à sua memória, a Abracrim reafirma que cultura e literatura são expressões essenciais da advocacia criminal, fortalecendo a identidade da classe e inspirando novas gerações a compreenderem o Direito não apenas como norma, mas como experiência humana e compromisso ético com a justiça”, avalia.

Natural de Tabira, em Pernambuco, Dudu Morais lançou, em 2023, o livro “Debaixo do Meu Chapéu”, obra que reúne poemas dedicados à advocacia, ao Direito, à Justiça e às experiências da vida. O prefácio da obra foi assinado pelo próprio presidente nacional da Abracrim, que agora integra esta homenagem póstuma.

Veja a íntegra do prefácio abaixo:

PREFÁCIO

“Nenhuma ciência, nem manifestações de tecnologia e de arte, nem a justa ambição da felicidade, nada seria possível no universo social do homem, sem a construção do Direito”. (Raymundo Asfóra)

O livro “Debaixo do meu chapéu” de autoria do poeta e advogado criminalista Dudu Morais constitui, na verdade, uma lira de amor à poesia, à advocacia, ao Direito e à Justiça!

O autor, Dudu Morais, com toda a sua sensibilidade de poeta e defensor da liberdade, escreve a sua obra poética com tintas de emoção revelando, a todos nós, o seu amor à vida e toda sua resiliência diante das ilusões e desilusões vivenciadas debaixo do seu chapéu.

Dudu Morais, poeta, advogado criminalista, natural de Tabira, de Pernambuco, do Brasil. É um talento brasileiro que transforma em belas poesias toda a sua experiência vivida no caminho da vida. E nesta sua mais nova obra, ele nos convida a mergulhar no seu universo jurídico e literário com versos que brotaram do seu peito; da sua inspiração e que passaram a habitar debaixo do seu chapéu preto, “preto e mais preto do que o próprio preto”, como verseja o verso do soneto “Chapéu Preto” de autoria do saudoso poeta e advogado criminalista Raymundo Asfóra.

E o autor, ao nos convidar a conhecer o seu universo jurídico, entre tantos poemas dedicados ao Direito e à Justiça, nos presenteia com a obra-prima “Advocacia” que é o soneto da sua profissão que exerce com zelo, brilho e dedicação, mas que, apesar das lutas e das vitórias, bem o sabe o quanto a honrosa missão na defesa da cidadania, da liberdade e da justiça, é permeada de dificuldades e obstáculos o que faz com que a advocacia se encoraje, siga em frente e se fortaleça em seu exercício diário.

Assim é a advocacia. É ela retratada pelo autor — no soneto “Advocacia” — ao exaltar em versos a sua profissão de fé e esperança:

“… Liberdade é a carga hereditária / Dos teus filhos, humildes defensores / Os quais sabem que a estrada imaginária / Tem mais pedras e espinhos do que flores …”.

Esse é Dudu Morais. O poeta/advogado que tão bem define o profissional da advocacia criminal assim versejando no poema “O Advogado Criminalista”:

“Muitas vezes tão mal compreendido / Mesmo assim na defesa ainda insiste / Ele é último degrau da escada triste / Que acolhe quem senta arrependido …”

E pela vivência no seu universo jurídico, o advogado criminalista, com toda a sua autoridade de poeta, sentencia em sentença irrecorrível que a lei é para todos e que todo mundo merece uma defesa. Assim ele verseja com propriedade, poesia e exatidão:

“… Todo forte possui uma fraqueza / Todo ciclo na vida ele se encerra / Todo mundo que acerta também erra / Todo mundo merece uma defesa”.

E arremata em mais versos de um outro poema:

“… No momento da hora da fraqueza / Precisaram de mim no Tribunal / E eu fui lá defender, que afinal / Todo mundo merece uma defesa”.

E quando a liberdade lhe faltou, o autor embalado pelo mote do poeta Felizardo Moura “De repente perdeu a liberdade / Quem tirou tanta gente da prisão”, assim bradou em versos por não poder exercer a advocacia criminal:

“Nunca mais eu vesti a capa preta / Pra fazer nem um júri num plenário / Os meus livros mofaram no meu armário / A poeira cobriu minha maleta. / Foi preciso dar férias a caneta / Sem poder exercer a profissão / Que de nada me serve a formação / No deserto da clandestinidade / De repente perdeu a liberdade / Quem tirou tanta gente da prisão …”.

E a presente obra registra, no exercício e no poema da “Autodefesa”, que o poeta/advogado Dudu Morais, amante da poesia, do direito de defesa e da justiça, restabeleceu a sua liberdade ao proclamar e provar a sua inocência fazendo valer os argumentos fáticos e jurídicos pela sua peroração poética. E eis alguns dos versos que selaram o seu destino:

“… Se por fora me faltam as alegrias / Eu por dentro também não tô inteiro / É que aquele dezoito de janeiro / Mata um pouco de mim todos os dias / Só Deus sabe das minhas agonias / Só conhece a montanha quem escala / Eu só peço aos jurados desta sala / Que me julguem de acordo com o que eu disse / E se puder solte o filho de Evanice / Que ela quis vir pedir, mas tá sem fala!”

Eis o universo jurídico do autor com seus encantos, sabores e dissabores; com poesias, direito, advocacia, justiça e liberdade!

E como se não bastasse toda a poesia da sua vivência jurídica, o poeta, o boêmio, o sonhador Dudu Morais, ainda nos convida a embarcar nas histórias dos amores e na sua vida traçada debaixo do seu chapéu.

No poema “Eu” o autor se define como poeta, boêmio e sonhador. Em um dos seus versos ele se autoproclama:

“Um poeta, um boêmio, um sonhador / Três figuras num corpo já surrado / O poeta o adorno das tristezas / O boêmio um eterno apaixonado / Sonhador que só teve pesadelos / Quando foi pra sonhar, foi acordado”.

Como se percebe e se sente, caro(a) leitor(a), para o seu deleite está em suas mãos um livro sensacional que vale muito a pena ser lido e relido pois que esculpido com a poesia e a emoção jorradas do coração do poeta Dudu Morais que nos convida a imergir no universo poético que habita debaixo do seu chapéu!

Boa leitura!!!

João Pessoa/PB, agosto de 2023.
SHEYNER YÀSBECK ASFÓRA
Advogado criminalista e presidente nacional da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM)

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