Assassinato do advogado Joacir Montagna foi encomendado por cliente insatisfeito
O crime que chocou a região, o assassinato do advogado Joacir Montagna, no dia 13 de agosto, no escritório dele, no centro de Guaraciaba, com um tiro à queima roupa, foi elucidado pela Polícia Civil. A operação foi denominada “Defesa da Ordem”.
A reportagem teve acesso aos documentos que foram remetidos para o judiciário na última semana contendo depoimentos e indiciamentos.
Segundo depoimento de um envolvido, um homem de 45 anos, foi apontado como mandante. A motivação, conforme depoimentos, seria porque ele foi cliente de Joacir Montagna e se sentiu prejudicado. Ele respondeu por roubo de cargas e alegou ter gasto muito dinheiro no decorrer do processo. O advogado teria garantido que conseguiria a liberdade, mas, o cliente foi sentenciado a 56 anos de cadeia e cumpriu oito. Quando conseguiu a liberdade condicional, ele visitou o defensor em Guaraciaba e exigiu devolução de parte do dinheiro aplicado, mas, Montagna teria negado a devolução.
Ele, então, contratou um rapaz de 23 anos, e ofereceu dinheiro para prática do crime. O atirador confessou que precisava de dinheiro porque estava foragido da justiça do Rio Grande do Sul e queria conseguir um advogado para tentar cumprir a pena em Chapecó. Após aceitar a proposta, chegou a visitar a região uma semana antes do crime para planejar a ação.
Ele foi preso e confessou ter atirado na vítima. Os irmãos dele, e 21 anos e de 28 anos, participaram, ajudando na fuga. Mas, conforme o atirador, eles não sabiam sobre o homicídio. Outro preso, de 51 anos, também teria conhecimento do crime e participação, mas não foram conseguidas informações concretas sobre a relação dele com o fato.
Os três irmãos e o suspeito de ser o mandante foram indiciados por homicídio, adulteração de veículo, porte ilegal de arma de fogo e associação criminosa. Em alguns poderão haver agravantes, como o motivo fútil, crime premeditado e uso de meios que dificultaram a defesa da vítima, além da vantagem pelo recebimento de valores.
O outro homem responderá por associação criminosa e por porte ilegal de arma. Não foram informadas as relações dele no crime.
O inquérito, com mais de 1.200 páginas, está concluído. Ele detalha a investigação e contém elementos e provas que comprovam o envolvimento dos cinco presos. Foram colhidos depoimentos de testemunhas, análise de imagens de monitoramento, quebra de sigilo telefônico e várias diligências até o apontamento do nome e do paradeiro dos suspeitos, agora indiciados.
As informações oficiais e detalhes somente serão repassadas pela Polícia Civil em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira, às 10h, em São Miguel do Oeste.