Em MS, Mariz conclama participação dos advogados criminais nas mudanças do Brasil
Com 50 anos de carreira, Antonio Claudio Mariz celebrou sua trajetória na
advocacia criminal com uma palestra que sensibilizou de jovens acadêmicos
de Direito a experientes advogados. No II Encontro da Advocacia Criminal de
Mato Grosso do Sul, Mariz exaltou o passado na profissão, ao mesmo tempo em
que trouxe inquietações sobre os rumos da advocacia criminal no Brasil e
suas perspectivas para o futuro. Realizado pela Associação Brasileira dos
Advogados Criminalistas de MS (Abracrim-MS), o evento foi sediado no
auditório da Ordem dos Advogados (OAB/MS), em Campo Grande, na sexta-feira
(10).
Grandes nomes da advocacia criminal do Brasil estiveram presentes para
celebrar a classe e recepcionar o palestrante da noite. O presidente da
Abracrim-MS, Alexandre Franzoloso, anfitrião do encontro, defendeu a união
dos advogados criminais de todo o Estado, para formar um grupo de
resistência e defesa das prerrogativas profissionais. “Em encontros como
estes podemos celebrar a união de todos os advogados que militam na área
criminal, refletir sobre a importância da atuação para toda a sociedade e
reivindicar o respeito às nossas prerrogativas, que nada mais é que o
respeito ao direito de defesa do cidadão”, defendeu.
O presidente da Abracrim-DF, Michel Saliba, representou o presidente da
Abracrim Nacional, Elias Mattar Assad. “A Abracrim cresce a passos largos e
somos a instituição que congrega o maior número de associados na área do
Brasil. Estamos sempre a socorrer e atuar em favor do respeito e da
dignidade profissional”. O presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche,
ressaltou a atuação do advogado ao longo de 50 anos de carreira. “O dr.
Mariz é uma referência na advocacia brasileira, representante da advocacia
criminal, um ícone e um espelho para os advogados”, afirmou.
*Palestra* – A saudação ao palestrante ficou a cargo do advogado e deputado
federal Fabio Trad. “O senhor é luz hoje para nós que estamos vivendo
tempos de trevas, muita confusão conceitual, e olha que quem está falando
ao senhor é um deputado já de terceiro mandato, já vi algumas coisas no
parlamento, mas nunca, confesso, com a alma encharcada de angústia, tive a
infelicidade de tempos tão críticos – não apenas ao direito penal, mas ao
próprio sistema jurídico, então o senhor vem aqui hoje para nos inspirar,
para nos mobilizar”.
Traçando um paralelo entre sua carreira anos anteriores à Assembleia
Constituinte e o atual cenário da democracia brasileira, Mariz fez um
alerta: “estamos vivendo tempos difusos, tempos dificílimos, nós estamos
vivendo tempos em que uma cultura punitiva tomou conta do país, quer se
resolver a questão da criminalidade crescente com punição – e só com
punição. Com cadeia – e só cadeia. A prisão virou uma panaceia para todos
os males”. Segundo o advogado, são quase 800 mil presos em País que vê a
criminalidade subindo.
Ao mencionar o projeto anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e
Segurança Pública, Sergio Moro, Mariz tece críticas: “li esse projeto e não
vi uma linha sequer falando de causas de crime. Não se combate crime com
punição. A punição é pós crime, vem depois do crime já realizado, já
consumado. Nós precisamos combater o crime atacando as causas do crime, os
fatores desencadeadores do crime”.
Sobre a ascensão de ideologias políticas, Mariz destaca a atuação do
advogado criminalista neste processo: “aqui não há político ou política de
direita, há a política da raiva, da intolerância, do radicalismo. E nós,
que fazer? Nós temos caneta e a arma é a voz para proclamar a necessidade
de construirmos algo melhor do que está sendo construído. Através da
palavra, nós precisamos tentar convencer a sociedade de que isso que está
aí não pode continuar sendo erigido. Isso vai assumir uma proporção
absolutamente insustentável para um país que se quer civilizado,
democrático, fraterno, solidário”.
*Projeto Anticrime e ações da Abracrim-MS* – Na oportunidade, o coordenador
da Comissão de Pareces Jurídicos da Abracrim-MS e conselheiro nacional da
Abracrim, Marcio Widal, fez a entrega do relatório de análise do projeto do
ministro Moro. O presidente da Abracrim-DF, Michel Saliba, recebeu o
relatório que será encaminhado como contribuição ao relatório nacional da
instituição. Após a apuração dos relatórios recebidos de todo o País, um
documento unificado será entregue aos parlamentares.
O II Encontro da Advocacia Criminal de MS também celebrou a posse de
membros da diretoria da associação estadual, bem como os membros das
diretorias regionais de Ponta Porã, Dourados e Três Lagoas.